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Foto: Entrada de Guaramiranga. Fonte: https://ifce.edu.br/proap_forum-de-adminstracao-e-planejamento/Acarau/entrada-guara.jpg/view

 

  Por Francisco Augusto de Araújo Lima, Sítio Bom Sucesso, Guaramiranga, Serra de Baturité, 09.09.2019. genealogia@familiascearenses.com.br    Atualização: 14.04.2021 - 26.06.2021. FAAL.

                                                                 Guaramiranga - Tiago Lima - 85 986039886 

 

   A Freguesia da Conceição da Barra foi criada por Dom Luís Antônio dos Santos, a 21 de novembro de 1873. No ano de 1879 já era denominada Conceição da Serra, Serra de Baturité,  (Guaramiranga), Cordão Central do Ceará. A reforma toponímica acontecida na década de 1930/1939, por existirem muitos lugares denominados Conceição, (para facilitar aos Correios e Telégrafos Nacional, a fazer a entrega de encomendas e de correspondências), mudou o nome para Guaramiranga, sítio vizinho ao Sítio Conceição, este de propriedade de Joaquim Alves Nogueira e Maria Odete Caracas Nogueira, pais de  Flávio Augusto Caracas Nogueira e Jaime César Caracas Nogueira. 

       O Cordão Central nasce no Oceano Atlântico, penetra no continente sul – americano, no município de Caucaia, Ceará, Brasil, com o nome de Serra do Camará, continua rumo sul com o nome de Serra de Maranguape, depois: Serra da Pacatuba, (Aratanha), Serra do Acarape (Redenção), Palmácia antiga Serra da Palmeira, Pacoti, (Pendência), Conceição da Serra = Guaramiranga, Mulungu, Aratuba, (Coité, Santos Dumont), e termina na Serra do Estevão, no município de Quixadá, da antiga Freguesia de Santo Antônio de Quixeramobim,  centro geográfico cearense. Maciço de Baturité assim fiou conhecido, a parte do Cordão Central, que compreende Aratanha, Palmácia, Redenção até Aratuba, quando da divulgação dos trabalhos do Governo do Estado, pelo General Francisco Humberto Ellery, então Vice Governador do Estado. Ou seja, Maciço de Baturité no conceito original corresponde a Serra de Baturité, (Pacoti, Guaramiranga, Mulungu e Aratuba), mais Aratanha, Palmácia e Redenção. 

    

    Conceição da Barra.

 

 

Conceição da Serra.

 

     

Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Aracoiaba.

Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Guaramiranga.

Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Pacoti.

Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Redenção.

Paróquia de São Francisco de Assis, Palmácia,

Paróquia de São Francisco de Paula, Aratuba.

Paróquia de São Sebastião, Mulungu.

Paróquia de Nossa Senhora da Palma, Baturité.

 

Publicado, 28.02.1879.

 

Cf. Hemeroteca Digital, Biblioteca Nacional, RJ.

 

A Povoação da Conceição da Serra de Baturité, (Guaramiranga), foi elevada a categoria de Vila, compreendendo o Distrito de Paz de Pernambuquinho, pelo Decreto de n.° 55 - de 1° de setembro de 1890, assinado pelo Governador do Estado  do Ceará, Coronel Luís Antônio Ferraz. Cf. Hemeroteca Digital Biblioteca Nacional, RJ.

 

 

Locomotiva e vagão Estrada de Ferro de Baturité. Fonte foto: brasilianafotografica.bn.br 

 

 

              (Re) Povoamento Serra de Baturité.


   Coité, Santos Dumont, Aratuba, cidade situada na esquina da Serra de Baturité, sotavento sul e oeste, começou a ser povoada pelos idos de 1760 {para Antônio Bezerra antes ainda} - por gente que transitava Baturité / Canindé, Canindé /Baturité, via Pindoba. Daí a existência dos Colares, dos Cruz, Cordeiro, etc. etc. tanto em Canindé como em Baturité. As três ladeiras de Aratuba para Canindé: Marés, Fernandes e a da Agonia, se cruzam e isso não é por acaso. Olhar do semi - árido do Canindé para o verde da Serra intrigava e despertava o colono do sertão seco a subir e conquistar as terras altas e férteis.

   Mulungu, Guaramiranga [Conceição] e Pacoti [Pendência], foram povoadas décadas depois. Outra: a cidade de Baturité veio na esteira do aldeamento indígena. Na sequência, gente do sertão seco, fugindo das secas, e para salvar seus gados, de pequeno e de grande porte, ocupou mais ou menos - até a cota altimétrica de 200 m da vertente oriental da Serra de Baturité, rica em água e alimentação para os animais. Os pioneiros vieram do Aracati, Icó, margeando os Rios Jaguaribe, Sitiá e Choró. Deixaram a ainda visível marca predatória da ocupação desordenada, com a quase extinção do solo e vegetação arbórea na citada cota de 200 m de altitude. Só tempo após, enfrentaram a tarefa mais difícil, subiram até o topo da Serra, sempre via barlavento.

   De Palmeiras, Palmácia, imbricada a Maranguape não houve fluxo migratório pretérito para a Serra de Baturité. Passou Palmácia a pertencer a Pendência, Pacoti. De Caridade = Cágado, Campos Belos = Inhoporanga, somente pelo ano de 1850 "os baixas renda" do Canindé [São Domingos] subiram a Serra para ocuparem sítios em Conceição da Serra, Guaramiranga, via a estrada Miguelão.

   Ainda: das três versões da origem do café na Serra de Baturité, a primeira, os Caracas negociavam com o Furna Uchoa e trouxeram as sementes da Meruoca. A segunda os Caracas amigos dos Albanos = Costa e Silva, da Serra da Aratanha de lá trouxeram as sementes... e a terceira versão, a semente de café veio do Cariri cearense, por mãos dos Queiroz e Castelo Branco.

   A primeira versão a cronologia, derruba: o José de Xerez Furna Uchoa, Capitão Mor da Vila Distinta e Real do Sobral, onde comerciava e fazia agricultura na Serra da Meruoca, no seu Sítio Santa Úrsula, morreu a 1º de abril de 1797. O cidadão dito pela tradição oral que comerciava com o Furna Uchoa, José Pacífico da Costa Caracas, nasceu a 05 de junho de 1819, na Serra de Baturité, Ceará. Assim nasceu 22 anos após a morte do José de Xerez Furna Uchoa. Não existe comércio entre morto e vivo, portanto...

   A segunda versão, que o mesmo José Pacífico da Costa Caracas cultivava a amizade do José Francisco da Silva Albano, Barão de Aratanha, fenece, porque o dito Barão nasceu a 21 de maio de 1830, em Fortaleza e foi ser gente, por volta de 1855, [idade adulta na época = 25 anos] quando já prosperava a cafeicultura na Serra de Baturité. As incoerências da tradição oral e dos "COPISTAS" que nada pesquisam, sem noção e sem critério.

   Prevalece a teoria que se o café PRIMITIVO da Serra de Baturité é o Maragogipe, = Nacional ou Típica, que se cultivava na Bahia, fato que se constatou no ano de 1965 e que anotado em detalhes, SEMACE, 1992, op. cit. As sementes do Maragogipe baiano foi parar no sul cearense. Então o café veio via Cariri cearense, por gente das famílias QUEIROZ [Sítio Munguaípe, Guaramiranga] e CASTELO BRANCO [Sítio Bagaço, Mulungu.]

   Por outro lado, quem foi pioneiro no plantio do café, não foi o dono da terra, o dono do sítio. Os pioneiros na cultura cafeeira foram os homens do dinheiro que arrendavam as terras para implantar a lavoura, derrubando a mata e plantando café a pleno sol, consorciado, p. ex. com mandioca. Os titulares da posse usavam a terra para o plantio de cana de açúcar, mandioca, e de forma prioritária, para salvar seus gados, em anos de estiagem severa.

Cf. Fco. Augusto de Araújo Lima, Sítio Bom Sucesso, Guaramiranga, Serra de Baturité, Ceará, 17.10.2010. Cf. Fco. Augusto, Zoneamento Ambiental da APA da Serra de Baturité, Diagnóstico e Diretrizes, SEMACE, Fortaleza, 1992, p. 30 /38 e 59/78. Cf. Colaboração Marcélio Farias e Clóvis Lobo. 

 

       Rol dos Antigos Sítios - Conceição da Serra, Guaramiranga.


Abreu, Agostinho, Água Boa, Álvaro, Arábia, Araticum, Arrependido, Baixa Fresca, Bananal, Barra Nova, Barros, Batalha, Betânia, Bico Alto = Pico Alto, Belmonte, (= Belo Monte), Boa Esperança, Boa Fortuna, Boa União, Boa Vista, Bonfim, Bom Retiro, Bom Sucesso, Bota Fogo, (Caga Fogo), Botija, Branco, Brejinho, Brejinho das Pedras, Brejo dos Britos, Brejo dos Gomes, Cachoeira, Cana Brava, Cantinho, Cortiço, Califórnia, Conceição da Serra, Correntes, Cruz, Deserto, E. H., Engenho de Dentro, Escondido, Fidéo, Floresta, Forquilha, Gameleira, Gaspar, Guanabara, Guarajá, Guaramiranga, Guarani, Iracema, Jericó, Jerumenha, Labirinto, Ladeira, Lagoa, Limoeiro, Linha da Serra, Logradouro, Olho d’Água, Macapá, Macapazinho, Monte Alegre, Montebelo, (Monte Belo), Monte Flor, Monte Líbano, Mucunã, Nanci, (?) Nolanguês, Nova Olinda, Ouro Preto, Paraíso, Paraná, (?) Partangaré, Paquetá, Pé de Ladeira, Pendanga, Pedras de Fogo, Pequenino, Pernambuquinho, Pico Alto, Poço Escuro, Poço Vermelho, Pombas, Porangaba, Ramon, Remanso, Riacho Fundo, Rio Negro, Salva Terra, Salva Vida, Santa Rosa, Santo Antônio dos Lucianos, Santinho, São Bernardo, São Francisco, São José, São Paulo, São Pedro, São Salvador, Sinimbú, Sítio do Rogério Prata, Sítio do Zacarias Marques Viana, Suzana, Talismã, Tibaji, Timbau da Serra, Ubajara, Uruguaiana, Uirapuru, Valha-nos Deus, Veneza, Venezuela (Cafundó). Cf. Francisco Augusto de Araújo Lima, Aspectos Sócio Econômicos da Serra de Baturité. ANCAR - Ceará. Fortaleza. 1965. 195 p. Ver mapa de Guaramiranfga https://www.cidade-brasil.com.br/mapa-guaramiranga.html 

 

 

     Guaramiranga: Clima e Cafeicultura.  

    A cidade de Guaramiranga encravada em privilegiada posição, protegida tanto a barlavento quanto a sotavento, é beneficiada por um clima ameno e estável. Época houve que representou um verdadeiro Spa para pessoas com doenças pulmonares, que de lugares variados a procuravam para uma sobre vida com qualidade. Além do ameno clima a incidência dos raios solares também era benéfico ao combate ao bacilo de Koch. A Vila da Conceição da Serra, assemelhada a Campos do Jordão e São José dos Campos, ambas em São Paulo, no trato e acolhimento de doentes, por terem clima e exposição de raios solares infra benéficos. 

   A temperatura motivou o plantio de cafeeiros a pleno sol, consorciado com mandioca, p. ex. Quando da florada o cafeeiro exige uma temperatura entre 18 - 22 graus centígrados, para uma maior fecundação, caso contrário as flores abortam, e reduzem a produção. Uma precipitação pluviométrica alta, mais de 2.000 milímetros por ano, e uma elevada umidade do ar, proporciona a Guaramiranga, uma sensação térmica de ser mais frio.

   O Engenheiro Agrônomo Francisco Augusto de Araújo Lima, sétimo neto de José de Xerez Furna Uchoa, o introdutor da café no Ceará, foi pioneiro na Extensão Rural na Serra de Baturité. Publicou o seu primeiro trabalho sobre a cafeicultura no ano de 1965 e o sexto em 1992, sempre editados e re - editados pelos órgãos em que prestou serviço.  Escreveu em tempos idos: "Retirar a vestimenta vegetal da Serra de Baturité é um crime: o mesmo que desnudar uma virgem em praça pública", que foi alvo de comentários vários no mundo cafeeiro brasileiro, onde o autor era o único cabeça - chata. Anotações valiosas, croquis de roçados de café feitos na investigação da erradicação de cafeeiros improdutivos, (com obrigatória substituição por outra cultura produtiva), conduzida pela agênia do Banco do Brasil de Baturité, e a posteriori vistoriada por Eng° Agr° do Instituto Brasileiro do Café, que determinou a suspensão de tal operação.

   A centenária série histórica da produção cafeeira revela que a riqueza maior sempre foi o seu clima estável, beneficiando-se em anos de seca, por nada sofrer e ter os seus produtos, farinha de mandioca, rapadura (raspadura), e café  com elevação nos preços, alem de acolher o gado bovino, salvando-o e lucrando. O gado bovino não permanecia na Serra de Baturité, sendo o motivo determinante a deficiente mineralização, principalmente de molibdênio. Escrever sobre a cafeicultura requer conhecimento técnico e pesquisa e até poeta necessita ser citado como prova do tardio sombramento dos cafezais após cem anos de cultivo a pleno sol. No apogeu da cafeicultura cearense, sua produção representava 0.125 % da produção nacional.

   A dificuldade em determinar a área da propriedade agrícola na Serra de Baturité existe em função de alguns fatores.  Não era usada a cerca de arame farpeado como divisória, pois não havia pecuária, notadamente pela já citada deficiência de minerais. O aclive do terreno que determina um aumento de área de até 20 %. (O aumento é da área produtiva e não da área real). Ainda a complexidade para determinar a produção cafeeira. Todos este fatores  contribuem para o proprietário estimar com razoável exatidão a dimensão do seu sítio Quando se diz p. ex. 200 arrobas de café, se faz referência a qual café - eis a questão. Café cereja mais café verde, recém colhidos ou café em coco, café seco após passar pela faxina? Ou ainda o café beneficiado, dito café em grão, este no sudeste brasileiro, e de forma universal, o parâmetro real da produção por sítio / fazenda. Os leigos confundem tanto a produção como a área. Fácil usando a fórmula correta, n° de covas, área e espaçamento para chegar ao resultado real. Concluindo: 500 litros de café passa, cereja, corresponde a uma saca de 60 kg de café em grão. Três sacas de café em coco corresponde a uma saca de café em grão. Uma saca de café em grão rende 48 kg de café torrado, puro. Cuidado quando afirma a produção cafeeira, cuide sempre em informar se a produção dita é em café cereja, café em coco ou em café em grão.

   Jacques Huber, 1867/1914, botânico suíço, escreveu (1901 - 1908): “A Serra de Baturité a cerca de 100 quilômetros da costa com uma altitude pouco inferior a 900 metros. O centro das minhas excursões foi a pequena Vila de Guaramiranga (Conceição) situada no coração da montanha n’uma altitude aproximada de 700 metros, infelizmente a cultura do cafeeiro causou ali a destruição das matas em quase todos os pontos acessíveis.” Cf. J. Huber, setembro de 1897, publicação in Revista suíça, (Huber, 1901), e RIC - Plantas do Ceará - Lista de Plantas vasculares colhidas no Estado do Ceará - 1 e 2 trimestres e 3 e 4 trimestres de 1908. p. 164/192.

   Huber classificou o arbusto vulgarmente conhecido por LACRE VERMELHO, com o binômio botânico de Vismia guaramirangae. É a planta nativa mais famosa e formosa de Guaramiranga, e merece ser plantada em praça pública para exibição as crianças, adultos e visitantes. Cf. Renato Braga. Plantas do Nordeste. Especialmente do Ceará, Centro de Divulgação Universitária. Fortaleza, 1953. 523 p. Observação. Guaramiranga, corruptela do tupi Guarapyrang, e que significa, animal ou pássaro VERMELHO. Cf. Antônio Geraldo da Cunha. Dicionário histórico das palavras portuguesas de origem Tupi. 2ª edição Paulo: Melhoramentos. 1982. 357 p.

  Um Governador em meados do século XIX, incentivou o preparo do café por via úmida o que proporcionou a fama do café-de-Baturité. Logo voltou ao beneficiamento por via seca tornando o café da Serra, bebida dura, ácida não aceito no mercado, a exceção de países do Norte da Europa, consumidores de bebida ácida. 

  Um outro Governador cearense, na década de 1970/1979, ao participar de reunião do Lions Club, tomou conhecimento da existência do Plano de Renovação e Revigoramento de Cafezais, e foi quem determinou ao Delegado Estadual do Ministério da Agricultura, que cuidasse do assunto. Recaiu a responsabilidade no Eng° Agr° Francisco Augusto que organizou uma equipe técnica que viajou as regiões da Ibiapaba, Meruoca, Pereiro, Araripe e Serra de Baturité.  Os dados coligidos e apresentados em circunstanciado relatório, motivou a vinda de renomados técnicos do Instituto Brasileiro do Café, climatologistas, geneticistas, fitopatologistas, entomologistas, inclusive os autores de melhoramentos que culminaram com  os cultivares Mundo Novo, Caturra, Catuaí, etc.

  Após um ano de estudos e produção de mudas ao se realizar o plantio foi detectado o Adensamento do solo, fruto do secular uso inadequado das terras íngremes sem a menor consciência de utilização de técnicas de conservação do solo. Não chegou a quarenta o número de voluntários mutuários, e importante, foram  isentados do pagamento, o I.B.C. assumiu já que os recursos repassados aos Bancos eram do próprio Instituto.

   Existe algum tempo levantei o acervo que disponho e repassei ao amigo Francisco Marcélio de Almeida Farias, pesquisador, e a quem caberá elaborar um trabalho sério sobre a cafeicultura, documentado, ilustrado e com nomes dos atores que implantaram o PRRC e dos que em visitas deram suporte técnico. Explicado fica a minha negativa, a quem me procurou em nome de uma outra pessoa que busca essas informações.